Relato SUPER DETALHADO da Conexão em Casablanca, voando Royal Air Maroc

Relato SUPER DETALHADO da Conexão em Casablanca, voando Royal Air Maroc



A Royal Air Maroc, chamada também “carinhosamente” de RAM, é a primeira companhia aérea marroquina e foi fundada em 1953. Operou no Brasil nos anos 70, retomando no final de 2013 ao mercado brasileiro com baixos preços de tarifas. Opera voos para África (seu hub fica em Casablanca) Europa, Ásia, América do Sul e do Norte.




Minha Decisão de Voar RAM


Até julho de 2016 não tinha planos de viajar, mas movida por um impulso chamado “passagem aérea de ida para Barcelona com a TAM por US$ 120 (mais taxa de embarque)” fechei literalmente de um dia por outro minha ida, e precisava então da volta.


Comecei a perceber tarifas com cerca de US$ 200/300 de diferença para outras mais renomadas em uma empresa chamada Royal Air Maroc. Assim como a maioria das pessoas que ouve esse nome pela primeira vez, fiquei cheia de dúvidas se voava ou não com a companhia marroquina, pois até então não tinha muitas informações, e o pouco que encontrei de relatos não era muito animador, mas… Confesso que fui mais uma vez fui motivada pelo preço, e claro, me animou bastante fazer uma conexão em Casablanca, no Marrocos, um dos destinos da minha Bucket List.


E a conexão, como funciona?


A primeira questão importante a se considerar sobre o vôo era a conexão em Casablanca.


Havia recebido um e-mail informativo do meu departamento aéreo informando que a conexão em Casablanca sendo maior a 5 horas seria disponibilizado transfer e hospedagem por conta da companhia. Reconfirmei a informação e descobri que acima de 8 horas eles também cederiam uma refeição.


Descobri também que eles trabalhavam com três hotéis diferentes, dois próximos ao aeroporto e outro na cidade. Torci para ir para o da cidade, mesmo sabendo que era distante, o que acabou acontecendo mas não adiantou muito, vocês saberão o porquê adiante.


IMPORTANTE: Vai fazer conexão longa em Casablanca? Coloque em sua carry on tudo o que precisar pois sua bagagem vai direto para seu destino final.


Veja a informação de como receber a hospedagem no site da empresa:

http://www.royalairmaroc.com/pt-pt/Inf.-de-Viagem/No-aeroporto/Transito


Baixe aqui o descritivo e o mapa (em inglês)


Trânsito

Se efetuou uma viagem internacional com reserva e tem uma correspondência com outro voo internacional com reserva, não disponível no prazo de 24 horas, durante o período de trânsito ficará a cargo da Royal Air Maroc. Este prazo é calculado a partir da hora real de chegada do voo em que viaja. Será, assim, transportado do aeroporto Mohammed V para o hotel no qual o seu alojamento lhe será oferecido pela Companhia.


Alojamento

A Royal Air Maroc selecionou hotéis confortáveis e acolhedores em Casablanca com vista a permitir aos seus passageiros um alojamento nas melhores condições antes da sua transferência.

Aquando da sua chegada ao aeroporto Mohammed V de Casablanca, dirija-se ao serviço de Trânsito e Alojamento situado na área das chegadas.

Uma equipa acolhedora e profissional encarregar-se-á da sua transferência para o hotel. O transporte será assegurado por uma transportadora especialmente selecionada para os passageiros em trânsito.

Os hotéis reservados para si foram objeto de uma seleção rigorosa com vista a oferecer-lhe as melhores condições de alojamento no mercado de Casablanca.

O seu regresso ao aeroporto será organizado nas melhores condições de conforto e pontualidade.



O check in em Barcelona

O balcão da companhia era bem compacto e não tinha o glamour das demais companhias, mas, quem precisa de glamour? Fui atendida rapidamente e despachei as bagagens, ficando com a mala de mão com tudo que eu precisaria.


O Embarque e o Vôo

O embarque ocorreu normalmente. O avião estava LO-TA-DO com M U I T A S crianças e S U P E R barulhentas por toda a aeronave. Fui literalmente até Casablanca levando chutes nas costas de duas crianças que estavam atrás de mim. Os pais estavam com 5 crianças menores de 6 anos e não fizeram absolutamente nada para que ficassem mais quietinhos, e a aeronave não tinha nenhum entretenimento a bordo, o que dificultava. Mas como foi rápido não teve problema.

A limpeza também não era primorosa, e tinha mal cheiro no ar, mas novamente nada que comprometesse, afinal de contas, eu sabia que tinha pago bem mais barato.

O serviço de bordo foi legal, teve jantar mesmo sendo pouco tempo de vôo.



A Imigração e Como Proceder no Trânsito


Mesmo tendo informações prévias de como seria, não foi tarefa tão fácil. Havia alguns balcões para pessoas em trânsito, a qual não tinha nenhum funcionário. Segui alguns brasileiros e cheguei a Imigração, achando estranho pois as placas diziam “Saída”. Mas estavam outros brasileiros lá, aproveitei pra fazer umas amizades, afinal, estávamos todos no mesmo barco.

Quando finalmente chegou minha vez (cerca de 1 hora esperando) fiz o tramite de saída informando que estava em trânsito e já com os documentos em mãos - passaporte e reserva do vôo. É necessário preencher uma fichinha também antes de chegar ao guichê. Os oficiais não são nada agradáveis (eu sei que nenhum é, mas eles eram realmente assustadores) mas comigo foram super rápidos, em dois minutos estava liberada. O inglês deles é bem carregado e difícil, ou meu nível de inglês estava bem enferrujado. rs. Tentei ajudar um brasileiro que fez amizade conosco e não falava nada de inglês, mas eles mandaram eu me afastar e ficaram metralhando (ops palavra ingrata) ele de perguntas por cerca de 10 minutos.


DICA: em hipótese alguma faça brincadeiras ou sorria demais. Aliás evite falar qualquer coisa não necessária, principalmente se você for mulher e estiver sozinha. Ah! Mas eles não podem fazer isso! Eu vi tanta coisa por lá, sinceramente, você não vai querer pagar para ver.


Saindo da Imigração você está por sua conta e nenhum funcionário da companhia vai checar se você está em conexão longa e te oferecer a hospedagem - então corra atrás para não ter que passar a noite no aeroporto. Eu me informei num balcão de informações que me indicou que fosse até o terminal 1 (cerca de 3 minutos caminhando). No andar superior há uma saleta da Air Maroc onde fizeram um voucher do hotel e disseram onde encontrar a van. Tudo muito superficial, os homens parecem que não querem falar com você. Fiquei sem muitas explicações mas segui o grupo.


A viagem durou cerca de 1 hora, o que me fez concluir que estávamos indo para o Centro. No caminho notamos grupos de homens na rua bebendo, se divertindo, mas nenhuma mulher. Alguns já tinham feito aquela viagem e contavam estórias, lendas urbanas provavelmente que falavam de brasileiras desaparecidas, tentativas de estupro etc etc, mas que aliadas aos olhares estranhos no aeroporto, me assustaram bastante. Sem saber se era verdade ou não, fiquei mais alerta, claro.


O Hotel


Nosso motorista (que também não gostava muito de falar comigo) nos deixou no hotel e partiu. Fizemos o check in no quatro estrelas Oum Palace Hotel. A região é Central e tem muitos hotéis e restaurantes nas proximidades, além do porto de Cruzeiros e da Antiga Medina, que queríamos muito conhecer.


O lobby era bem bonito, tinha uma recepcionista mulher (ufa) e maleteiros (que nos comiam com os olhos, disgusting). Tinha um restaurante onde nos serviram o jantar. Alguns homens saíram para comprar pizzas no Pizza Hut, que era perto, pois não gostaram do menu (o qual eu, que não costumo ser muito fresca para comer, não consegui comer quase nada). Nos preveniram a não sairmos sozinhas, por isso tivemos que encarar o jantar, mas o tomate estava delicioso. rs


O quarto era outra realidade. Depois conversando com os amigos disseram que o deles era legal, mas o nosso era terrível. O banheiro estava em obras, não tinha box nem cortina, e tinha canos totalmente expostos. Tinha uma goteira no banheiro. As amenities pareciam de motel barato. Os móveis eram antiquados e de gosto duvidoso, o que nesse ponto não influenciou em nada, já que a cama até que era bem gostosa.


O retorno

Decepcionadas por não podermos ir até a Mesquita (ficamos com muito medo depois de tantos relatos e tantos olhares), tomamos um café da manhã bem fraquinho, salvando só os croissants, e fomos para o aeroporto no ônibus designado pela RAM.


Algumas fotos tiradas do ônibus mesmo




Ao chegar no aeroporto não pude acreditar: FILA ENORME PARA E N T R A R.

Isso mesmo.




Por questões de segurança eles só autorizam a entrada no aeroporto de quem está com passaporte e comprovante de reserva aérea, E ainda passa por um raio X, só para ENTRAR.




É importante ressaltar um ponto: no Marrocos, assim como acredito eu em todos países muçulmanos a mulher não pode sair sem seu marido. Eles prestam muita atenção então principalmente nas mulheres, para evitar qualquer “fuga” dela. Quer entender melhor? Explica muito no livro “Cidade do Sol”, do mesmo autor de “O Colecionador de Pipas”.


Voltando ao drama do aeroporto, vocês poderão ver nessa mini vídeo (que acaba com o policial quase tomando meu celular, eu não sabia que não podia gravar) que a fila era gigantesca.







Cerca de uma hora para entrar, fora a fila para o check in e entrar na hora de embarque levamos um total de 3 horas. Isso aí, três horas para chegar no portão de embarque. Se você vai sozinho (a), se prepare. Fila enorme para entrar no aeroporto, fila maior para o check in (não lembro se foi check in ou se apenas passar pela entrada da RAM) mas lembro que antes da imigração fomos ainda parados em dois momentos por dois agentes de segurança distintos e mais uma revista no raio X. CLARAMENTE ali a questão era fiscalizar a saída de mulheres, pois os homens passavam quase que direto, e as mulheres tinha que mostrar passaporte, reserva e explicar por que estiveram no país e para onde estavam indo. Fiquei com pena de uma mulher nova, aparentemente uns 20 anos, que o marido passou mais rápido e ela ficou parada na fila, quando chegou a vez dela o marido já estava no raio X, e ela desesperada explicando para o agente que o marido estava na frente e procurando ele com os olhos. Até que ele teve que voltar e falar para o oficial que ela estava com ele.

Uma segunda situação também lamentável foi com uma outra mulher, também muçulmana que no raio X mandaram que ela abrisse as malas. O marido passou na frente e não fez nada, e ela mandaram que passasse diversas vezes, ela sem calçados, só não podia tirar o lenço que cobria o rosto. Abriram a mala e jogaram TUDO dela em cima da esteira, expondo totalmente a mulher, e com olhar de divertimento. Estavam se divertindo fazendo a passar por aquela exposição. Não só lamentável, mas repugnante!


Quando cheguei finalmente ao agente de imigração, dessa vez não foi nada rápido, mesmo eu deixando o país, e não entrando. O agente fez diversas perguntas, repetindo as mesmas algumas vezes, como se não acreditasse no que eu estava falando: sim, estou com uma amiga voltando da Europa. Sim, moro no Brasil e estou voltando para lá. Dentre outras perguntas que não lembro bem.


Mas finalmente cheguei a zona de embarque e logo em seguida chamaram para entrar no avião, não antes de eu garantir uns souvenirs na lojinha do aeroporto.


O vôo Casablanca x Rio de Janeiro.


Estava tão chocada com as diferenças culturais expostas nas horas em que estive no Marrocos que confesso que não tenho muitas recordações do avião em si.


Voei no dia 30 de outubro de 2016 e embarquei e o vôo, dessa vez mais vazio, seguiu sem nenhuma anormalidade que me recorde.


O jantar foi agradável, embora o prato principal estivesse com uma cara meio estranha, estava gostoso, e como entrada tonha salmão defumado (AMO) e macaroons deliciosos.



Ah! Ainda ganhei como amenitie um kit com meias, tapa olhos e lenços umedecidos. Nem todas as companhias dão hoje em dia, então achei fofo.





Resumindo a Experiência


Royal Air Maroc


Preço: 10

Vôo Barcelona x Casablanca: 5 (pelo barulho das crianças e limpeza) / 9 pelo check in / 2 pela assistência no aeroporto para passageiros em trânsito / 10 para as malas irem direto para o Rio / 10 pela pontualidade

Vôo Casablanca x Rio de Janeiro 7 no geral, pelo que me lembro / 10 por não terem perdido minha bagagem / 10 pela pontualidade


Oum Palace Hotel

0 pelo atendimento masculino / 3 pelo jantar / 5 pelo café da manhã / 6 pelo quarto / 9 pelas áreas comuns


Aeroporto de Casablanca

2 por tudo


Esclarecendo Alguns Detalhes Importante para Mulheres


Antes de seguir com o relato queria explicar essa parte da viagem. Sei que estou dando minha cara a tapa e muitos irão julgar ou dizer qu com eles não foi assim. Mas comigo foi, e estou alertando para que as próximas a viajar estejam alerta.

Não sou o tipo “gostosona” e nem estava vestida inadequadamente. Muitos vão dizer: mesmo que estivesse, eles têm que te respeitar. Concordo! Mas acontece que no Marrocos o buraco é mais embaixo! Se conhece sobre a cultura muçulmana que verá que infelizmente muitas atrocidades são cometidas contra as mulheres nesses lugares, então… Todo cuidado é pouco.

Estava eu e uma amiga, e resolvemos nos preservar, afinal não custava nada e estávamos longe de casa. Tínhamos planos de sair no dia seguinte para dar uma volta, eu sabia que deveria ter cuidados, mas não imaginava que seria tanto, logo, não foi preconceito. Sabendo da cultura local nos vestimos com calça jeans que não marcava e camisa bem larguinha, com tênis e sem nenhuma maquiagem ou biju. O que realmente não quer dizer nada, sabe por que? Não é a roupa, não é a beleza ou corpo. Eles simplesmente olham todas as mulheres de cima a baixo, com um misto de desejo e desdém muito, mas muito amedrontador. E talvez o fato de estarmos duas mulheres, sem nenhum homem tenha piorado mais, já que a crença deles é que a mulher deve se submeter ao homem, e a lei deles que nenhuma muçulmana pode sair na rua sem seu marido, devido ficar mais atrás dele, e sempre de cabeça baixa.


Situações desconfortáveis

Chegando no Hotel fomos fazer o check in. Minha amiga ficou no balcão esperando que nos chamassem e eu precisava ir ao banheiro. O banheiro ficava próximo ao restaurante, onde os garçons estavam preparando as mesas para nos receber. Fui sozinha, não vi mal, e quando cheguei no salão senti um mal estar imediato, todos pararam de fazer o que estavam fazendo e olharam pra mim como se fosse um animal em exposição. Baixei os olhos e entrei no banheiro me certificando que estava trancado.


Uma segunda situação que foi a gota d'água: subir no elevador com o maleteiro. Ele nos encarava sem o mínimo respeito, nos intimidando mesmo. Cheguei a gelar na hora que ele chegou no nosso quarto, dispensei e bati a porta na cara dele, impedindo que entrasse para nos mostrar o que sei lá ele queria mostrar. Minha amiga que não sabia da história do banheiro falou: nossa, achei que ele ia nos atacar. Decidimos ali que não sairíamos mais do quarto.


Li alguns relatos de pessoas, inclusive mulheres, que acharam tudo normal. Mas eu tive MEDO. Não sei mais se volto ao Marrocos. E quando lancei no Facebook um pequeno relato...


"M E D O ! ! !

Não sei as outras cidades marroquinas. .. Mas Casablanca me deu medo. Não se vê uma mulher na rua e mesmo dentro do hotel os homens te olham como uma mercadoria, num olhar que mistura cinismo e superioridade.

Ainda bem que tinha reservado o traslado do aeroporto direto para o hotel, assim como o jantar também.... nada de sair sozinha por aqui meninas!"


… três amigas minhas que estiveram em terras marroquinas falaram que passaram pela mesma situação. ENTÃO meu conselho é: todo cuidado é pouco. Se seu desejo é conhecer o Marrocos, vá em frente. Mas esteja preparada, de preferência vá em grupo com muitas pessoas, nunca ande sozinha ou se vista escandalosamente, E faça tudo com uma agência de viagens para que tenha todo suporte necessário.

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