A Pior Experiência de Viagem da Minha vida: Dormir na Rua em Los Angeles

A Pior Experiência de Viagem da Minha vida: Dormir na Rua em Los Angeles




Estava fazendo uma cotação para um grupo de 3 jovens que planejam viajar para a Europa e me pediram: hotel do mais barato, pode ser Hostel (o clássico) e o transporte entre as cidades "pode deixar que a gente se vira, chegando lá a gente compra passagem de trem" e comecei a lembrar de um perrengue que eu mesma passei há alguns anos, em uma viagem que fiz totalmente por conta própria. Em primeiro lugar: de forma alguma eu recrimino o tipo de viajante “econômico”. Acho muito melhor a pessoa realizar uma viagem econômica do que não realizar, mas…. Tem determinadas economias que definitivamente não valem a pena. E digo agora por que, e tenho certeza que concordarão comigo.


No meu caso, todas as economias deram errado. A escolha do vôo muito longo; o albergue em Los Angeles; o meio de transporte de Las Vegas para Los Angeles e o somatório de todos os fatores, que no final das contas resultou que eu dormisse na rua. Isso mesmo, eu dormi na rua, no Centro de Los Angeles.




Mas então, o que houve?




Parte I - Escolha errada de vôos

Na verdade foi uma sequência de erros, a começar pelos vôos. Eu estava indo para Las Vegas, passar uma temporada aprimorando meu inglês, e ia sozinha. Comprei o vôo mais barato, que no caso tinha duas conexões, em Guarulhos e outra em Houston. E qual o problema nisso? Além do tempo de vôo ser de quase 24 horas, tanto em Guarulhos quanto em Houston é necessário você pagar suas malas e despachá-las novamente. Como eu ia passar uma temporada, eram duas malas grandes mais a mala de mão para carregar, e sozinha! Que eu não teria ajuda nos EUA eu já imaginava (lá eles não são exatamente corteses com as pessoas que nem conhecem) mas que em Guarulhos não teria ajuda alguma…. Foi uma surpresa. E pra piorar ainda mais a situação, cheguei em um terminal, e embarcava em outro, ou seja, tive que carregar as três malas para dentro do ônibus do aeroporto, subir com elas, depois descer…. Já aí já estava muito arrependida da economia de R$ 200 que eu fizera comprando esse vôo. Mas sabia eu que ainda vinha coisas piores, muito piores!!



Então, voltando ao erro dos vôos, teve ainda um adicional que fez com que a situação piorasse mais ainda: eu comprei o vôo para Las Vegas, mas estava com três amigas (Danielle, Amanda e Vanessa) em San Diego que estariam justamente naquele final de semana em Los Angeles, para assistir a um show da Rihanna com o Eminem em Pasadena, e me chamaram para ir. Logo eu, que adoro a Rihana!! Topei na hora, mas como faria? Como as passagens já estavam compradas, ficaria mais caro alterar para Los Angeles ao invés de Vegas, então decidi que chegaria a Vegas, deixaria as malas grandes com uma amiga (Vânia, sua carona acho que foi a única coisa que deu certo rss) e partiria de ônibus para Los Angeles, num ônibus que descobri em Las Vegas. Esse foi um dos maiores erros, se não o maior, que já tomei na minha vida de viagens. rs



Parte II - Transporte errado de Los Angeles para Las Vegas.


Com o intuito de economizar, já que eu estava sozinha e o custo do carro seria alto, eu pesquisei na internet e descobri um site chamado GoToBus onde revendia passagem de três empresas diferentes. Fui na mais barata, claro: US$ 25 o trecho.



Infelizmente não lembro qual o nome da empresa, mas lembro que era mexicana. Começou então meu martírio. O ônibus estava agendado para as 15h saindo do hotel Excalibur, estava lá desde as 14h. Fiz amizade com um americano e ficamos conversando, até que deu 15h, 15:20 e nada. Ligamos para o número do voucher e primeiro disseram para esperar, quando ligamos novamente as 15:40 disseram que já tinha passado e nós tínhamos perdido. Não adiantou argumentar, não saímos de lá em momento algum, quando não estava eu, estava o meu amigo americano, e o ônibus simplesmente não passou… E não tinha jeito. Isso deveria ter servido de sinal, e eu deveria ter sossegado o facho e não ido para Los Angeles, mas não… Descobrimos o próximo ônibus que era as 19h saindo do Baileys. O amigo americano (Gerald) foi comigo pois estava tão p da vida que já tinha esquecido o inglês. Ao embarcar me cobraram novamente os US$ 25, não teve jeito. Eu como já tinha pago a hospedagem em Los Angeles, e não tinha hospedagem em Vegas reservada para aquela data, E queria ver o show, paguei os US$ 25 novamente e fui. P da vida.

Fora todo meu cansaço, pois agora já eram mais de 36 horas viajando, o ônibus era uma droga. O motorista um grosso, a atendente que cobrava as passagens, mais ainda, foi uma luta para conseguir lugar (descobri então o que tinha acontecido: o ônibus tinha várias paradas antes do Excalibur, eles saíam vendendo as passagens para quem quisesse, sem levar em consideração as reservas pela internet. MAL CARATISMO PURO, e ainda falam dos serviços no Brasil! Ali mesmo no Baileys, que era o segundo ponto de pick up dos passageiros, já tinham mais pessoas para embarcar do que poltronas disponíveis, mas consegui pegar uma das vagas e não fiquei de fora dessa vez.


Mas mais uma vez, em outros pontos de pick up não tinhan lugar e eles sequer passaram para dar uma satisfação ao cliente!!!!! Enfim, péssimo, fui lesada não só nos US$ 25, mas também no meu precioso tempo, e esse atraso ocasionou o grande próximo problema:



Parte III - Horário de chegada em Los Angeles


Meu plano era chegar no local do ponto final e pegar um táxi até o hostel, que ficava próximo a Calçada da Fama. Pelos cálculos US$ 20 de Uber. Fiz uma amizade com uma brasileira e fomos conversando até o ponto final, e dividiríamos o Uber. Ao chegar, o lugar HORRÏVEL! Era 1h da manhã, numa esquina totalmente erma, onde só tinha uma mercearia aberta. Ao lado dessa lojinha tinha gente vendendo drogas, prostitutas, moradores de rua. Umas pessoas super mal encaradas olhando a gente, parecia filme de máfia, sabe? Fiquei gelada de medo… Entramos, compramos água e foi o tempo do nosso Uber chegar. O motorista disse logo que não deveríamos ficar ali, que era super barra pesada. E eu nem sabia o que me esperava ainda….

Primeiro a brasileira que fiz amizade ficou na casa para onde ia, depois fui para meu Hostel, o Orange Drive Hostel. O que eu não sabia, pois não olhei bem a reserva, é que ele fechava das 22 as 06h. Tentei bater, tocar a campainha, mas ninguém abriu. Ou seja, ao chegar, não tinha onde ficar. Isso mesmo, não tinha onde ficar em Los Angeles, já há quase três dias longe de casa, exausta, suja, com fome e com medo…. E não sabia o que fazer, fiquei atordoada.




Parte IV - Dormir na rua


O motorista ficou rodando comigo para ver se achávamos algum lugar para eu ficar, mas não conseguia nada naquela região, até que ele me deixou no Jack In The Box, um restaurante mexicano Fast Food 24 horas, mais ou menos 3 da manhã. A idéia era comer algo, pois eu estava realmente exausta, pois seriam só 3 horas até o albergue abrir e eu voltar. O restaurante estava vazio, e haviam placas por todos os lados: proibido dormir nas mesas. Puxa, logo o que eu queria. #chateada #malhumorada



Mas vamos lá, são só 3 horas. Comprei em prestações os lanches, já que não podia dormir nas mesas e eram 3h… Primeiro um taco, depois um refresco, depois outro taco… Eis que o que acontece? Meu organismo não acostumado com aquele tempero, tive um tremendo de um piriri. Só o que me faltava! O banheiro ficava trancado. Pedi as chaves e quase que pernoitei sentada no trono, pois não conseguia sair de lá. Pelo lado positivo, pelo menos não dormi nas mesas.


Parte V - Finalmente chegando ao Hostel. Finalmente?




Fiquei 2h30 dentro do restaurante, e então não aguentando mais, resolvi sair para andar pelas ruas e ir caminhando até o Hostel, vai que eles abrem antes, né? Ao chegar, as 6 em ponto, estava acabada, arruinada, triste, e fui encaminhada para o meu dormitório. Eu nunca tinha me hospedado em albergue… E somado a todo o drama anterior, claro que eu não estaria feliz, MAS, como poderão compreender ao ler o que vem a seguir, realmente eu não ficaria nunca mais num local como esses. E nem recomendar. Nunca.


A começar pelo chuveiro. Eu estava ávida por um banho lento, quente e demorado…



E também doida para deitar e dormir. Queria poder dizer: voltei para o dormitório após o banho de alma lavada. Mas não foi isso que aconteceu… Nem bem outras partes do corpo consegui lavar, que dirá a alma: o bendito banheiro ficava do lado de fora, no andar superior e tinha um TEMPORIZADOR de tempo de banho - 3 minutos. ISSO MESMO!!!!!!! Depois de tudo eu só podia tomar banho por três minutos!! Desligava o chuveiro e as luzes caso passasse dos três minutos e ainda ficava tocando um tic tac irritante e persistente. Tomei os 3 minutos de banho, mas acho que as lágrimas molharam mais que a (pouca) água do chuveiro. Voltei para o dormitório pensando o que mais poderia dar de errado...


Eram 4 camas num quarto, até aí, legal.



Não existiam armários nem cofre. Isso foi péssimo, eu ficava receosa de mexerem nas minhas coisas, claro! As colegas de quarto, duas canadenses, até que foram bem simpáticas, mas… Elas saíram as 7 da manhã para tomar café, tomar banho e passear, e eu tinha acabado de deitar…. Fizeram barulho, pediram desculpas mas acenderam as luzes, e então, resolvi levantar para tomar café, pois o sono já não rolaria mais mesmo.

Não consegui tomar café da manhã naquele local, onde pessoas felizes e alegres faziam seu próprio café e compartilhavam comida - eu obviamente não estava no clima. Fechei a conta, paguei a diária não utilizada (não tinha jeito) e fui me hospedar num hotel numa rua próxima - gastei mais US$ 300 nessa diária - mas sinceramente, depois de tudo, foram os 300 dólares mais bem pagos da minha vida.


A partir daí a viagem seguiu sem maiores problemas graças a Deus.




Aí você me diz: Silvana, mas você não é agente de viagens? Como deu um mole desses?


Pois é. Eu que trabalho há mais de dez anos com isso (nessa época não era agente, mas trabalhava no setor de Turismo, justifica um pouco, não?? Não. rss), já tinha viajado mais de 5 vezes para os EUA e mais de dez vezes em viagens internacionais, muitas dessas sozinha… Falo o necessário de inglês e espanhol, mas mesmo assim cometi erros primários achando que eu sabia tudo - me dei mal - muito mal. Eu tinha toda a experiência e achei que poderia economizar num hostel ou num vôo mais barato, num serviço de internet. Mas isso foi bom para que nenhum cliente meu jamais passasse por isso - não pelo menos sem ouvir meu sermão. E espero de verdade que você também não caia nessa, pois realmente foi uma das piores experiências da minha vida.


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